sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

[In]interrogáveis.

De frente ao espelho, muda, pergunto-me uma infinidade de interrogações, todas não interrogáveis. E no limiar do tempo ali parada, apenas faço força. Esforço-me, uso dos músculos faciais para que aquela água salobra de dentro dos olhos não caia. Mas é inevitável. Quando sinto, ela já escorreu e se uniu a boca trêmula, muda, com gosto do nada e do tudo ao mesmo tempo. Com a vontade de abrir-se com respostas ou soluções.
Quem sou eu? Queria que alguém me dissesse. Ou pelo menos sugerisse. Sou tantas, para tantos. Uns indiferentes outros tão próximos tão viventes. E eu ainda assim não sei o que sou dessa proximidade. Quem são vocês? O que querem de mim? São tantos vocês de vocês mesmos que eu me pergunto se um deles não é a minha própria imaginação. Vocês são o que eu fiz de vocês em mim, o que eu quereria perto de mim. Mas uns tem o dom de não me deixar fazer, ou fazer e se perder. Nós nos perdemos constantemente.
Nos encontraríamos novamente? Em um futuro próximo, talvez? Ninguém volta ao que era antes do que se perdeu. Tenho que acalentar o coração. Fazê-lo entender que a vida é do jeito que é. Sem entendimentos. Sem falhas. Sem acertos. Sem voltas. Sem idas.
Sem um eu.
Saio da posição inicial, quase que um insight profundo, me retiro do espelho como se aquele momento ficasse apenas dentro de mim e eu do lado de fora, me afastando de qualquer questionamento.