sábado, 29 de janeiro de 2011

Brincando de fazer um livro com a Marcela nas madrugadas de insônia

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Mas será que ele voltaria assim como era antes? Quando eu acordava nas raras vezes de repente ao seu lado e ele ainda dormindo rolava seus braços ao encontro do meu corpo, assim ainda sonambulo, desajeitado, mas com todo o amor fantasiado que eu sentia que ele entendia. São dois meses de desconhecimento e mais alguns de saudade doída, de desejo quase que incontrolável, de percepção das realidades. Diálogo, existe? Penso que somos infinitos monólogos, um como plateia para o outro. Achamos que dialogamos, que nos entendemos e no fundo nada e tudo é a mesma coisa. Sentimos um tudo para depois descobrir que foi nada. Um diálogo inexistente.

É deprimente notar descer uma lágrima a cada vez que fecho os meus olhos. Por favor, Anita, comporte-se, pare de chorar e prenda a respiração só para conseguir lavar o rosto, vamos lá: um, dois e estou cansada. Quando foi que tudo se tornou mais difícil? Todos os meus caminhos costumavam trilhar para os seus. E agora minha metade inteira chora de saudade. Gostava tanto do sol que dourava os nossos corpos na praia, dos sapatos levados nas mãos, essas lembranças que ficaram na minha memória e, certamente, dentro desse meu coração. Lembro-me, também, de quando você vinha me oferecendo o seu passado, e, em troca, oferecia-lhe o meu futuro. Edu, nós éramos o presente, um tempo infinito em um só, eterno. Tudo o que restou foi o vazio, o temporário, o efêmero. Não somos mais, fomos. Apesar de sabermos disso tudo.

Por que algumas dores duram tanto, por que alguns sentimentos demoram tanto a passar? Tudo o que consigo é reavivar essas esperanças perdidas e provocar lágrimas quentes e amargas contidas. Foi-se do belo ao detestável. Mas estou tentando superar e me divertir, não é isso que mandam a gente fazer? Não pegue assim na minha mão, Eduardo.

Eu queria roçar em seu corpo e tocar suas mãos para tentar sentir o que um dia senti, quando vi Anita pela primeira vez e fiquei espantado, não com beleza que nem era grandiosa, mas com sua pele macia e graciosa, como um pessego veludado pedindo por uma mordida suculenta. Era difícil, já não eram mais as mesmas sensações, mas eu não conseguia entender, decifrar qualquer sentimento. Os dois primeiros meses foram ruins. O álcool foi algumas das distrações além do sexo sem graça. Sem amor. Em que tocava e não sentia nada de surreal quando se sente quando amamos a pessoa ao lado. Era pura biologia, animal a procura de prazer carnal. O que aconteceu conosco Anita?
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

É uma pena

Acontece que sempre sou a primeira a ver, a vivenciar.
E dói, como vai la no fundo e mesmo com dias e dias, afeta.
Sou uma afetada. Ontem foi assim.
Hoje já me encontrava com um casal na frente, outro do lado esquerdo e um do direito.
Confesso, faltava você.
Sentia no coração que aquela cadeira vazia era sua e que as lembranças não eram falsas ou em vão. Isso tudo mesmo sabendo que a razão estava ali pra dizer que não tinha que sentir falta, ou que não fazia parte de algo.
O mais estranho era depois de te ver com o passado, perbebia as coisas que lhe faltavam ou que perdia na minha ausência.
Eu tinha pena, queria você ali, vivenciando algo que não viveria longe de mim.
Mesmo com o coração ainda batendo, ou com a certeza de que não mais o teria.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Pamonharia

Cheguei. Havia acabado de tirar as sandálias e procurado como ninguém por um papel em branco e uma caneta, lembrando que tinha amassado a folha da caderneta do finado ano. Já havia arrancado a folha da mesma para enganar a mim de que aquela não era do finado, mas eu ainda não conseguia me enganar.
Voltemos ainda ao caminho do fim para depois eu chegar ao começo de tudo.
Como não consegui utilizar a folha amassada do finado, estava eu insandecida pelo papel em branco. Então fechei minha conta e fui embora fazendo um jogo de palavras com as frases que rondavam meus pensamentos. Infelizmente a cada pensar sentia que perdia alguns nos passados segundos.
_Ainda irão inventar um gravador de pensamentos, tenho fé.
E toda aquela aflição de escrever por conta do início disso tudo, solidão.
Um momento por favor, solidão é algo fúnebre demais, é profundo demais. Estava eu só, confesso, mas não quer dizer que eu viva mergulhada em solidões.
Na verdade o início foi quando escutei o ronco do meu estômago e senti o desejo de dias por uma pamonha. Estar sozinha era mais um mero detalhe que sempre ocorria nos meus dias fatigados.
Pois bem, levantei daquela quase cova que era meu sofá. Vesti-me apresentavel e saí. A insegurança era tamanha que fiz uma ligação, quem sabe aquele não seria o dia em que eu sairía sozinha comigo mesma. Nada feito, eu estava findada a mim.
Até então tudo bem, sair para jantar comigo não era e nem seria o pior dos meus encontros. Sentei em uma mesa mais reservada, adaptei minha bolsa e esperei pelo garçom.
O pior não foi ele chegar com dois cardápios e me perguntar se seriam duas pessoas. Confesso que o que fez supitar uma gota de incômodo foi dizer:
_Não, estou só mesmo.
No entanto, ficar sozinha nunca me incomodou, pelo contrário, eu sempre me fui uma ótima companhia, mas era algo mais além, mais fundo que eu não saberia explicar em palavras.
E quando ele se retirou já com meus pedidos e eu já de cotovelos na mesa, porque esse tal papo de etiqueta nunca foi o meu forte, prezo bem mais meu conforto e que por incrível que pareça, depois de uns minutos era isso, eu estava confortável, só, comigo, sem pensamentos.
Olhava para a avenida, sentindo aquele cheiro e ouvindo o som da garoa caindo no asfalto, as famílias chegando e para não faltar, um casal jovem dividindo um guarda-chuva. Mas eu estava muito bem ou já conseguia me enganar muito bem como uma atriz recente.
Não, não era cena. Eu estava bem. Sentia, mesmo que cansado e em frangalhos, que eu tinha coração, e agora, depois de um tempo paralisado, estagnado, ele batia, batia por mim, somente.
Agora estou aqui, já não mais com um papel em branco, mas cheio de palavras que tentam, se esforçam em expressar o que está dentro.
E o que me resta disso tudo é que coca-cola não combina com pamonha.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Vênus - Moska

"Não falo do amor romântico,
Aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento.
Relações de dependência e submissão, paixões tristes.
Algumas pessoas confundem isso com amor.
Chamam de amor esse querer escravo,
E pensam que o amor é alguma coisa
Que pode ser definida, explicada, entendida, julgada.
Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro,
Antes de ser experimentado.
Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta.
A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado.
O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita.
O amor é um móbile.
Como fotografá-lo?
Como percebê-lo?
Como se deixar sê-lo?
E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine?
Minha resposta? O amor é o desconhecido.
Mesmo depois de uma vida inteira de amores,
O amor será sempre o desconhecido,
A força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão.
A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação.
O amor quer ser interferido, quer ser violado,
Quer ser transformado a cada instante.

A vida do amor depende dessa interferência.
A morte do amor é quando, diante do seu labirinto,
Decidimos caminhar pela estrada reta.
Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos,
E nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim.
Não, não podemos subestimar o amor e não podemos castrá-lo.

O amor não é orgânico.
Não é meu coração que sente o amor.
É a minha alma que o saboreia.
Não é no meu sangue que ele ferve.
O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito.
Sua força se mistura com a minha
E nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu
Como se fossem novas estrelas recém-nascidas.
O amor brilha.
Como uma aurora colorida e misteriosa,
Como um crepúsculo inundado de beleza e despedida,
O amor grita seu silêncio e nos dá sua música.
Nós dançamos sua felicidade em delírio
Porque somos o alimento preferido do amor,
Se estivermos também a devorá-lo.

O amor, eu não conheço.
E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo,
Me aventurando ao seu encontro.
A vida só existe quando o amor a navega.
Morrer de amor é a substância de que a vida é feita.
Ou melhor, só se vive no amor.
E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto."

Moska

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Recaída

Que vontade desesperadora de vomitar mesmo de estômago vazio
De gritar esgoeladamente sem ninguém ouvir
De escrever tudo sem nenhuma inspiração
De esquecer mesmo com a memória vívida
Uma vontade sem vontade de nada
Seca crua e vazia