Cheguei. Havia acabado de tirar as sandálias e procurado como ninguém por um papel em branco e uma caneta, lembrando que tinha amassado a folha da caderneta do finado ano. Já havia arrancado a folha da mesma para enganar a mim de que aquela não era do finado, mas eu ainda não conseguia me enganar.
Voltemos ainda ao caminho do fim para depois eu chegar ao começo de tudo.
Como não consegui utilizar a folha amassada do finado, estava eu insandecida pelo papel em branco. Então fechei minha conta e fui embora fazendo um jogo de palavras com as frases que rondavam meus pensamentos. Infelizmente a cada pensar sentia que perdia alguns nos passados segundos.
_Ainda irão inventar um gravador de pensamentos, tenho fé.
E toda aquela aflição de escrever por conta do início disso tudo, solidão.
Um momento por favor, solidão é algo fúnebre demais, é profundo demais. Estava eu só, confesso, mas não quer dizer que eu viva mergulhada em solidões.
Na verdade o início foi quando escutei o ronco do meu estômago e senti o desejo de dias por uma pamonha. Estar sozinha era mais um mero detalhe que sempre ocorria nos meus dias fatigados.
Pois bem, levantei daquela quase cova que era meu sofá. Vesti-me apresentavel e saí. A insegurança era tamanha que fiz uma ligação, quem sabe aquele não seria o dia em que eu sairía sozinha comigo mesma. Nada feito, eu estava findada a mim.
Até então tudo bem, sair para jantar comigo não era e nem seria o pior dos meus encontros. Sentei em uma mesa mais reservada, adaptei minha bolsa e esperei pelo garçom.
O pior não foi ele chegar com dois cardápios e me perguntar se seriam duas pessoas. Confesso que o que fez supitar uma gota de incômodo foi dizer:
_Não, estou só mesmo.
No entanto, ficar sozinha nunca me incomodou, pelo contrário, eu sempre me fui uma ótima companhia, mas era algo mais além, mais fundo que eu não saberia explicar em palavras.
E quando ele se retirou já com meus pedidos e eu já de cotovelos na mesa, porque esse tal papo de etiqueta nunca foi o meu forte, prezo bem mais meu conforto e que por incrível que pareça, depois de uns minutos era isso, eu estava confortável, só, comigo, sem pensamentos.
Olhava para a avenida, sentindo aquele cheiro e ouvindo o som da garoa caindo no asfalto, as famílias chegando e para não faltar, um casal jovem dividindo um guarda-chuva. Mas eu estava muito bem ou já conseguia me enganar muito bem como uma atriz recente.
E quando ele se retirou já com meus pedidos e eu já de cotovelos na mesa, porque esse tal papo de etiqueta nunca foi o meu forte, prezo bem mais meu conforto e que por incrível que pareça, depois de uns minutos era isso, eu estava confortável, só, comigo, sem pensamentos.
Olhava para a avenida, sentindo aquele cheiro e ouvindo o som da garoa caindo no asfalto, as famílias chegando e para não faltar, um casal jovem dividindo um guarda-chuva. Mas eu estava muito bem ou já conseguia me enganar muito bem como uma atriz recente.
Não, não era cena. Eu estava bem. Sentia, mesmo que cansado e em frangalhos, que eu tinha coração, e agora, depois de um tempo paralisado, estagnado, ele batia, batia por mim, somente.
Agora estou aqui, já não mais com um papel em branco, mas cheio de palavras que tentam, se esforçam em expressar o que está dentro.
E o que me resta disso tudo é que coca-cola não combina com pamonha.
E o que me resta disso tudo é que coca-cola não combina com pamonha.
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