quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,

assim calmo, assim triste, assim magro,

nem estes olhos tão vazios,

nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,

tão paradas e frias e mortas;

eu não tinha este coração que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,

tão simples, tão certa, tão fácil:

- Em que espelho ficou perdida a minha face?

Cecília Meireles

domingo, 28 de outubro de 2007

Proposital.

Parece não, tudo acontece propositalmente
Acontece e aparece pra perturbar a mente
Você esquece, mas logo tratam de relembrar
Você não vê, mas aparece sem pensar.
E tudo volta ao princípio
é como um ciclo doloroso
que te apega, te come e te cospe
até se recuperar e ser pega novamente
Você nasceu pra sofrer, nasceu pra morrer.

sábado, 27 de outubro de 2007



Com açúcar, com afeto, fiz seu doce predileto
Pra você parar em casa, qual o quê
Com seu terno mais bonito, você sai, não acredito
Quando diz que não se atrasa
Você diz que é operário, sai em busca do salário
Pra poder me sustentar, qual o quê
No caminho da oficina, há um bar em cada esquina
Pra você comemorar, sei lá o quê
Sei que alguém vai sentar junto, você vai puxar assunto
Discutindo futebol
E ficar olhando as saias de quem vive pelas praias
Coloridas pelo sol
Vem a noite e mais um copo, sei que alegre ma non troppo
Você vai querer cantar
Na caixinha um novo amigo vai bater um samba antigo
Pra você rememorar
Quando a noite enfim lhe cansa, você vem feito criança
Pra chorar o meu perdão, qual o quê
Diz pra eu não ficar sentida, diz que vai mudar de vida
Pra agradar meu coração
E ao lhe ver assim cansado, maltrapilho e maltratado
Como vou me aborrecer, qual o quê
Logo vou esquentar seu prato, dou um beijo em seu
retrato
E abro meus braços pra você

Chico Buarque/Nara Leão

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Amor infantil

aah o amor..um desses infantis que acaba com o coração.
Uma dor de fim de mundo por um amor que nunca se viu.
É assim que vive aquela menina mulher de 18 anos que ainda
se formata como uma criança de 10.
Cria dentro de se mesma o principe que não existe.
Só a mascara, o físico, mas nada daquilo que configurava.
Ele, um menino qualquer que figurava seus olhos todos os dias.
Não sabia de sua existencia e se sabia, não à via.
Eram assim todos os seus amores, quando se cansava
de sofrer por um, inventava o outro e sucessivamente.
Sentimento infantil, não era um amor além da dor.

domingo, 21 de outubro de 2007

vem além.


A cabeça doi e a inspiração não vem.
Nada vem além ninguém não vem amor.
e não há remédio que cure a dor.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Receita da perda e do ganho.

Pegue uma corda, um som e o 1° cd do Los Hermanos.
Esteja em uma casa que tenha um grande corredor
e este ligado a sala. Junto ao corredor, quartos com
grandes janelas as quais vc verá do proprio corredor.

Ligue, aumente o volume, esqueça os visinhos, se sinta.
Pule corda, cante, respire fundo, tudo simultaneamente.
Não se privatize das meras estranhezas, dance.
Dance como nunca dançou antes, pule.

Corra de um extremo ao outro do corredor.
Corra corra, respire inspire, beba água, se hidrate.
Dance. Movimentos aleatorios, contemporaneos.
Não pense, sinta, ja é o bastante.

Pare no meio do corredor e observe.
Entre os dois quartos, há as janelas.
São dois ângulos diferentes, visões diferentes.
Pense no mundo diferente que você está agora.

Se exprima, misture-se à poesia e às estruturas.
Se imprima, cante, balance, sinta o ritmo.
Descançada, pule, pule cruzado, pule dançando.
Respire inspire, beba muita água.Relaxe.

E no final, suor escorrendo, alma embriagada de paz
as musicas acabam e você perdeu...
Perdeu kilos e ganhou...
Ganhou o ser, o estar...

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Vive-se num sopro de vida.

O que eu vejo?
Um sonho trasformado em filme na minha mente ou a vida acontecendo sem mim?Tudo se desenrola como um tubinho de linha, como se a vida fosse assim, simples.No entando a minha, o meu, nada simples..Não existe o desenrolar, só o enrrolar do pouco que ainda tem, do pouco que ainda consigo inventar.
O ritmo, a força que se mistura com a tentativa de vida.A música te leva, te encarrega de viver, tendo choro ou escorrendo alegria, te empurra.E você sem [querer ter] opção se vai.
Vejo a fantasia se entregando a você que por algum motivo tem dificuldade de viver.Vejo a imaginação tomando conta do ser, porque ai sim a fantasia se condiz com a realidade.Por que a imaginação não passa da possibilidade de vida do futuro.Esse sopro de vida que já é o bastante.

sábado, 13 de outubro de 2007

'Sobrou o velho vício de sonhar..
Pular de precipicio em precipicio,
Ossos do ofício.
Pagar pra ver o invisivel e depois
Enchergar que é uma pena..'

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Coisa de filme.

Parecia até coisa de filme.Não daqueles hollywoodianos, mas dos mais alternativos possiveis.Saímos de casa com a intenção de andar um pouco e aproveitar para ir ao banco em pleno inicio da noite.Tirar uma grana para sair ja que era vespera de feriado.
Ao me aproximar do banco visualizo dois homens estranhos do outro lado da rua.Como todo bom cidadão tive medo, não pelo dinheiro, que minha poupança anda quase no zero, mas pelo medo natural de sempre, machista ou não, sou mulher e mais frágil a qualquer situação do tipo.
E quando menos espero estavam dois garotos em cima de mim me perguntando referencias.Assustei, mas educadamente perguntei em que podia ajudar.Me perguntavam sobre um hotel, e o nome não me era estranho.Analisei em minha memoria e lá estava o tal hotel..coincidentemente perto de casa.
Tentei explicar o caminho, mas sou péssima de ruas e referencias.No entando lhes mostrei o rumo certo.Então entrei no banco e comecei a sacar o dinheiro.Após uns segundos o garoto entrou no banco e foi a um caixa também.Começamos a conversar sobre o tal hotel que eu não sabia ensinar o caminho, até que inusitadamente saiu da minha boca palavras oferecendo leva-los até lá, ja que iria pelo mesmo rumo.
Aventura, isso que eu chamo da minha reação.Mc ficou assustada, logo eu, conversando com estranhos, mas nem eu sabia o que havia acontecido comigo mesma.Talvez uma inovação, um basta a mesmice de cada dia, um cansar das mesmas pessoas do meu mundinho pequeno.Ou talvez por ter visto o mapinha de Goiania na mão do garoto e ter me lembrado a minha viagem a Europa, onde me perdia facilmente, mas muitas vezes por querer. Era simplesmente Paris..
Ele com um sorriso muito grande de quem estava mais tranquilo aceitou a ajuda.Fomos ao posto da praça, pois o outro garoto também precisava ir ao banco.Nos apresentamos e logo percebi o sutaque.Um era do Rio de Janeiro e o outro facilmente percebido era do Sul.Espantada com aquela situação perguntei o que os traziam a Goiania, logo aqui, no meio do Brasil, mas não desmerecendo a cidade.Eram muchileiros, e realmente dava pra notar com as mochilas nas costas e um tênis de quem iria andar muito.
Caminhamos ao rumo do hotel e a conversa estava em alta.E a cada palavra um pensamento sobre aquele momento inusitado do dia.E em meio a conversa surgiu a pergunta do que haveria pra fazer na noite, falei de barzinhos, em especial um que teria o aniversario de uma amiga.Logo se interessaram e ao chegar no hotel na hora de despedir pediram o meu celular pra quem sabe irem tambem, dei e agora fico a pensar se isso foi algo normal de se fazer..
Cenas de cinema, de um romance inesperado que surgiria a qualuer momento.Será? Como no filme ninguem sabe antes do final e nem eu a autora disso tudo sei se eles serão vistos novamente ou serão apenas personagens desta narração...

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Amores..



Platônicos, inacabaveis,
e totalmente perdedores.
Ja perdi tudo e todos.
até 'o' que eu não quiz.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

'Adeus você
Eu hoje vou pro lado de lá
E to levando tudo de mim
Que é pra não ter razão pra chorar.
Vê se te alimenta e não pensa que eu fui
Por não te amar..'

domingo, 7 de outubro de 2007

Corre ou não corre?
Corre ou não corre?
Corre ou não corre?
Mente martelada.
Alma desconfigurada.
Tempo tempo tempo
deixa eu fazer um pedido?

sábado, 6 de outubro de 2007

Ah Literatura..

Remorso (Olavo Bilac)
Às vezes, uma dor me desespera...
Nestas ânsias e dúvidas em que ando.
Cismo e padeço, neste outono, quando
Calculo o que perdi na primavera.
Versos e amores sufoquei calando,
Sem os gozar numa explosão sincera...
Ah! Mais cem vidas! com que ardor quisera
Mais viver, mais penar e amar cantando!
Sinto o que desperdicei na juventude;
Choro, neste começo de velhice,
Mártir da hipocrisia ou da virtude,
Os beijos que não tive por tolice,
Por timidez o que sofrer não pude,
E por pudor os versos que não disse!