sábado, 13 de novembro de 2010

Gosto do lar

Neste quarto de paredes laranjas
que nem chegou a ser meu,
mas que eu mesma pintei
que eu mesma quis que ficasse
com o sentido do bucolismo de um outono qualquer,
na hora exata adentra a mulher que me deu a vida
Com um copo do vicío que me assegura
Com a rotina do meu lugar chamado lar.


domingo, 7 de novembro de 2010

Preguiça de pessoas

Não é que eu seja fria ou sem sentimentos, entende? Eu não apenas tenho preguiça dos afazeres domésticos ou das obrigações. Também tenho preguiça de pessoas. E são todas as pessoas. Principalmente daquela Tia que adora te pegar pra conversar e contar a história da família desde um passado longínquo até os bafões atuais. Eu morro de preguiça dessa Tia. E minha mãe não entende. Ela diz que eu me acho e que não tenho humildade. Achar como? Se o que mais me anda atormentando é o fato de eu não me achar em lugar algum? É aí que eu tenho preguiça, também, da minha mãe. Mas isso não quer dizer que não a ame ou que eu não tenha sentimentos, consegue me entender? Eu saio como uma andarilha no meu belo setor num dia de domingo. Dia em que as pessoas estão em casa descansando e a existência de carros nas ruas é quase nula. Saio para ver se amenizo essa imagem errada que têm de mim em casa, essa imagem momentânea, e também para não sentir preguiça de mais pessoas dessa família. Levo meu livrinho de cabeceira e caminho na busca de um lugar bacana para ler. Chego numa praça, e ainda consigo encontrar pessoas entusiasmadas num belo domingo em que deveriam estar em casa. Eu realmente tenho preguiça de pessoas. Mas elas não me pertubam a uma certa distância. Eu paro num banco no meio da praça, fico ali uns 3 minutos e não me sinto confortável. As pessoas se encomodam com pessoas solitarias e um livro. E eu me encomodo com seus olhares quando tudo o que eu mais queria é estar invisível. Caminho mais um pouco pela praça e encontro uma sombra boa e escondida. Depois de um capítulo lido, aparecem dois homens. O cheiro do álcool se sente de longe. Espero um pouco para não acharem que eu sairia dali correndo porque serem mendigos. Ouço algumas conversas. "Quantas vezes você ja se casou fulano?". "Foram quinze vezes". "E aquela sua primeira esposa, morreu atropelada ou você que a matou?". Sim, o assunto ficou pesado. Logo me retirei. Não seria hoje e nem nunca que estaria livre de pessoas. Ainda não inventaram um lugar assim bacana, a não ser meu próprio quarto. Tenho preguiça de pessoas, entendeu? Não? É por isso que agora tenho preguiça de você amigo leitor. Mas não se assuste, não é uma preguiça constante.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Sentir da madrugada

E só na madruga silenciosa.No sentido aguçado devido a embriaguês depois de um dia no minimo excêntrico você para e pensa: Que saudade.Que vontade de dizer que tenho saudade.Que queria saber do 'como vai você?'.Mas será que a interpretação seria positiva?Melhor não dizer.Melhor evitar qualquer coisa do que agir com todo esse sentimento agrupado e aguçado pelas substâncias quimicas.Pra que complicar, endaga o cérebro.O coração não sabe responder.Ele é ação pronta, sem resposta, sem sentido, sem endagações.Esse querer evitar da razão.A sobriedade nunca levou gente a lugar nenhum.Só o coração com esse subto, essa ação voraz e rápida para dar vida ao real e verdadeiro.Mas ainda se consegue evitar.Essa evitação talvez não nos leve a nada.Talvez não, sempre.O problema de um mundo inteiro, de uma nação inteira, de uma galera, de duas pessoas é não deixar agir assim, apenas coração.E eu quero, quero mesmo sentir essa saudade.Quero sentir essa vivência que muitos não sabem o que é.Quero sentir e me sentir por inteira mesmo que você não saiba.Mesmo que eu não consigo contar da minha saudade.Quero sentir sentir sentir sentir e não parar.Nunca......................................