quinta-feira, 26 de maio de 2011

Os dois eu's

O Egito lhe parecia lindo. As pirâmides exuberantes, tão grandiosas que era difícil de acreditar que eram construídas pelo homem. De tão altas achava-se que as pontas dos dedos iríam alcançar os céus.


E lá estava ela, feliz, como se nunca estivera antes. E como não estar, sabendo que iria fazer uma apresentação ali, no jardim de uma das pirâmides. Cantaria como se fosse um pássaro de cativeiro diante da sua liberdade.


Entrou, se posicionou, se desposicionou, cantou e descantou. Não dava para destinguir rostos, era somente ela ali, como se todas as energias de todos concentrassem nela e ela abdusia tudo aquilo.


O tempo não foi cronometrado, como se não pudesse senti-lo, deduzi-lo. Como se nada fosse real.


Foi então que naquela magia toda desceu do palco e foi em direção a outro ambiente. Havia ali placas de que a entrada era proibida. Mas quem haveria de proibi-la? Ela queria cantar ali também, aquele lugar a chamou e no mesmo lugar também queria ela receber mais e mais energias.

Num processo de energização forte eis que dois braços a seguraram. E só quem poderia lhe proibir a segurou. Era ela mesma. Olhava estranhamente o seu próprio rosto, só que este que a segurava tinha um semblante calmo, de quem a ajudaria.


As visões começaram a se confundir, ora era o seu olhar, ora era o olhar de quem a segurava, e neste ultimo ela à via com um semblante assustador, não a reconhecia mais. Quem era ela agora? Quem a sustentava? Como desvinciliar daquela situação surreal?


Foi quando ela sendo segurada por ela mesma, viu diante daquele semblante calmo algo que a fez entrar em surto psicotico, era como um espírito, mas que não deu tempo de ver sua forma e face já que o olhar que estava era o seu mudou para o olhar do seu eu que à segurava. Só via o temor de se mesma e de repente uma luz forte que a cegava e um arrepio...


Era sonho. Tudo não passava de um sonho e agora estava fora dele. Aos tremores e suando frio, como se tudo aquilo fosse tão vivo quanto os sentimentos que apresentava naquele momento. O que terá sido tudo aquilo? Um sonho nunca antes se quer imaginado ou semelhante a qualquer outro. Nem teria pensado em coisas parecidas antes para vincular a ele. E era a tarde. Sonhos intensos não costumam vir à tarde.


Procurar perguntas e respostas? Associações? Era melhor não...só de lembra-lo o arrepio vinha a alma.







Um comentário:

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