terça-feira, 13 de setembro de 2011

Manhã rosa


Não sei se barriguda ou ipê,
mas era rosa a visão da manhã.
No inferno ao quadrado
dos carros e da seca,
era ela quem transformava
um dia de tristeza comedida
em calmaria cheia de proeza.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Amém

Agosto desgosto
se foi.
No posto
do gosto composto
que vem
Setembro,
todos dizem
Amém!

sábado, 13 de agosto de 2011

Afeto pelo vazio

Era possível ter afeto a algo incompleto?
Não conseguia mais formar o desenho
As linhas não se encontravam
Os gestos eram sombras
O sonho não era certo

Existia uma saudade
A presença de uma ausência
Não pelo desenho, não pela imagem
Era ausência de Amor
Era falta de coragem

Afeto pelo vazio

domingo, 7 de agosto de 2011

Oficina do diabo

Eu estava naqueles dias em que nada estava bom, mas também nada estava ruim. A cama era o aconchego para aquela preguiça toda de existir. As músicas eram nem melancólicas, nem alegres. O dia era nem lá e nem cá. E como toda mente sem nada pra fazer é uma oficina pro diabo, lá estava eu pensando em você. Na verdade relembrei da ultima vez que nos vimos. Já faziam seis meses de desencontros e todos não programados. É incrível perceber como a vida faz nossos caminhos, como antes a gente se encontrava sempre e depois dos cortes de sentimentos, ou pelo menos da tentativa de cortar, a gente se perdeu. Na verdade te vi um dia antes do reencontro. Vi as costas, mas preferi mudar o rumo e não pagar pra ver como seria o encontro de frente. E nada adiantou. No dia seguinte eu chegando correndo para o show, no pique para começar a dançar as músicas, até deixando minha amiga para trás, de repente quando viro o rosto ainda andando apressada para ver onde estava ela, eu vejo você. Ao mesmo tempo que em minha cabeça aconteceu tudo tão rápido, não tendo como fugir, retornando, dei-lhe um beijo tão rápido no rosto que acho que nem chegou a ter contato pele a pele. Aquele 'Oi, tudo bem?' de sempre, sem esperar resposta. Mas aconteceu devagar também. Quando virei e vi seu rosto, você como sempre com o cigarro na boca, pronto pra acende-lo, me viu e soltou um sorriso, ainda com o cigarro na boca, a cabeça meio baixa. E logo soltei em minha mente as minhas compreensões. Você já devia ter me visto antes. Aquele sorrisinho meia boca, tinha a impressão de cínico, de que na sua cabeça eu não iria retornar para lhe cumprimentar, de que você era demais para mim. Eu deveria ter feito tudo mais devagar, realmente saber se você estava bem. Ou eu também não precisava nada disso. As coisas aconteceram e pronto. Não houve culpados, não haviam julgamentos por minha parte e eu já não queria mais saber da sua parte. Como poderia eu fazer mais se ainda la no fundo eu queria muito mais que um tocar de bochechas? Ao mesmo tempo que você era superficial para mim não me tocando sentimentalmente como antes, você estava perdido internamente em mim, e eu mentia para mim dizendo que não queria mais te encontrar aqui dentro, depois de tanto tempo tentando te esconder. Chega. Parei de relembrar e fui em busca de alguma oficina qualquer que me colocasse longe dos pensamentos profundos. Longe de você. Hoje em dia eu conseguia parar de pensar apenas em um comando. Diferente dos longos dias a um tempo atrás, em que nem eu mandando eu parava de te imaginar. Pronto, pensei: já me basta por hoje, já rendeu um texto.

sábado, 6 de agosto de 2011

Cansaço

Já é hora de descansar os olhos
não olhar o vazio adentro
não se encharcar.
O corpo não se equilibra mais
o sangue está frio
tudo se tornou robótico.
É hora de relaxar, não pensar
respirar e somente pulsar
para seguir em frente
no que não se vê.
É hora de deitar
dormir
apagar.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Dia do amigo

Dia do amigo. Confesso que acordei lendo aqueles montes de recados em redes sociais e não me sensibilizei. Talvez fosse recalque, mas não. Os amigos que conto nos dedos que tenho são realmente amigos e eu faria qualquer coisa por eles, mesmo que eles não fizessem o mesmo por mim. Tenho um valor imenso pela amizade, acredite. E talvez seja por isso essa falta de sensibilidade em um dia que não deveria ser especificado para tal, afinal, amigo que é amigo se é todos os dias. Essa superficialidade de emoções me enoja. Seria defeito ser intensa e profunda demais nas coisas? Recalque. Aos amigos, as minhas emoções a flor da pele!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Visita ao médico

Certo dia fui levar minha mãe ao médico. Especificando melhor ele era um cirurgião plastico já que o que estava em questão era a diminuição dos seios que minha mãe tão sonhava desde menina. Infelizmente coisas estéticas são levadas apenas como futilidades, sem levar em conta o psicológico do paciente, a interferência que causa em sua vida a não realização de uma mudança que tanto deseja. E por serem assim levadas as cirurgias estética são caras e nenhum plano de saúde as cobrem.E foi por isso a demora da realização do sonho de minha mãe.
Era a segunda visita dela ao médico, mas era a primeira que eu a acompanhava. Na visita anterior eles já haviam decidido o preço que era menor que as demais por algumas questões que não vem ao caso. No entanto, nesta visita que eu estava ele havia esquecido o desconto e falou em palavras marcadas "eu nunca faço esse preço ". Não me senti bem com a recepção e nem com a postura do médico. Para mim ele tomou a medicina como um mercado em que se lança preços, e não pelo trabalho, que ele nem se quer especificou, mas pelo tipo de pessoa que 'atende', talvez fosse uma mulher com aparência de rica ele lançasse outro valor ainda maior. Me parecia ele ser mais um daqueles alunos que fazem medicina pelo 'status' e pelo poder aquisitivo.
Não estou desmerecendo o valor que um médico deve ganhar. Sei dos riscos e das dificuldades que a profissão trás e que deveria ser mais valorizada pelos planos de saúde e estado. Se o médico da visita tivesse melhor explicado o preço especificando o trabalho, os materiais que usaria, o pagamento do hospital e de seus ajudantes, como enfermeiros e anestesistas, tivesse eu entendido e não o julgasse.
Medicina não é uma profissão pra se ganhar dinheiro, nem aparências. É preciso respeito, amor ao que se faz, vontade de ajudar ao próximo com o que se sabe sem querer em troca algo de um paciente, até porque ele está ali para receber ajuda e não para dar alguma coisa. O salário é apenas uma consequência, que sim deve ser justo, mas não é de responsabilidade de um paciente.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Pare

O que mais tenho pedido é que ele pare.
-Pare de bater, pare de me bater.
Mas ele não tem entendido.
Fica todo deprimido sem ter porquê.
Sem ajuda do outro para esquecer.

O que mais tenho pedido é que ele pare.
-Pare de pensar, de sonhar.
Mas ele não tem escutado.
Faz tudo errado, sem razão.
Coisas que não são sua função.

O que mais tenho pedido é que ele pare.
Pare Coração!

(05/02/2011)

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Os dois eu's

O Egito lhe parecia lindo. As pirâmides exuberantes, tão grandiosas que era difícil de acreditar que eram construídas pelo homem. De tão altas achava-se que as pontas dos dedos iríam alcançar os céus.


E lá estava ela, feliz, como se nunca estivera antes. E como não estar, sabendo que iria fazer uma apresentação ali, no jardim de uma das pirâmides. Cantaria como se fosse um pássaro de cativeiro diante da sua liberdade.


Entrou, se posicionou, se desposicionou, cantou e descantou. Não dava para destinguir rostos, era somente ela ali, como se todas as energias de todos concentrassem nela e ela abdusia tudo aquilo.


O tempo não foi cronometrado, como se não pudesse senti-lo, deduzi-lo. Como se nada fosse real.


Foi então que naquela magia toda desceu do palco e foi em direção a outro ambiente. Havia ali placas de que a entrada era proibida. Mas quem haveria de proibi-la? Ela queria cantar ali também, aquele lugar a chamou e no mesmo lugar também queria ela receber mais e mais energias.

Num processo de energização forte eis que dois braços a seguraram. E só quem poderia lhe proibir a segurou. Era ela mesma. Olhava estranhamente o seu próprio rosto, só que este que a segurava tinha um semblante calmo, de quem a ajudaria.


As visões começaram a se confundir, ora era o seu olhar, ora era o olhar de quem a segurava, e neste ultimo ela à via com um semblante assustador, não a reconhecia mais. Quem era ela agora? Quem a sustentava? Como desvinciliar daquela situação surreal?


Foi quando ela sendo segurada por ela mesma, viu diante daquele semblante calmo algo que a fez entrar em surto psicotico, era como um espírito, mas que não deu tempo de ver sua forma e face já que o olhar que estava era o seu mudou para o olhar do seu eu que à segurava. Só via o temor de se mesma e de repente uma luz forte que a cegava e um arrepio...


Era sonho. Tudo não passava de um sonho e agora estava fora dele. Aos tremores e suando frio, como se tudo aquilo fosse tão vivo quanto os sentimentos que apresentava naquele momento. O que terá sido tudo aquilo? Um sonho nunca antes se quer imaginado ou semelhante a qualquer outro. Nem teria pensado em coisas parecidas antes para vincular a ele. E era a tarde. Sonhos intensos não costumam vir à tarde.


Procurar perguntas e respostas? Associações? Era melhor não...só de lembra-lo o arrepio vinha a alma.







sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

[In]interrogáveis.

De frente ao espelho, muda, pergunto-me uma infinidade de interrogações, todas não interrogáveis. E no limiar do tempo ali parada, apenas faço força. Esforço-me, uso dos músculos faciais para que aquela água salobra de dentro dos olhos não caia. Mas é inevitável. Quando sinto, ela já escorreu e se uniu a boca trêmula, muda, com gosto do nada e do tudo ao mesmo tempo. Com a vontade de abrir-se com respostas ou soluções.
Quem sou eu? Queria que alguém me dissesse. Ou pelo menos sugerisse. Sou tantas, para tantos. Uns indiferentes outros tão próximos tão viventes. E eu ainda assim não sei o que sou dessa proximidade. Quem são vocês? O que querem de mim? São tantos vocês de vocês mesmos que eu me pergunto se um deles não é a minha própria imaginação. Vocês são o que eu fiz de vocês em mim, o que eu quereria perto de mim. Mas uns tem o dom de não me deixar fazer, ou fazer e se perder. Nós nos perdemos constantemente.
Nos encontraríamos novamente? Em um futuro próximo, talvez? Ninguém volta ao que era antes do que se perdeu. Tenho que acalentar o coração. Fazê-lo entender que a vida é do jeito que é. Sem entendimentos. Sem falhas. Sem acertos. Sem voltas. Sem idas.
Sem um eu.
Saio da posição inicial, quase que um insight profundo, me retiro do espelho como se aquele momento ficasse apenas dentro de mim e eu do lado de fora, me afastando de qualquer questionamento.