Queria um café, agora.A garrafa está logo ali, tão chamativa que já sinto o vapor quente com aquele cheiro inconfundível de cafeína.Não posso, tenho uma noite para dormir.Já basta a noite passada não dormida.Amanhã o dia começa cedo.Então o que faço com a única forma de descongestionar isso de mim, não podendo usufruir do meu vício? Tenho que tirar essa raiva de mim dentro de mim mesma.Já desisto dos métodos musicais.As tranquilas não adiantam.As pesadas se tornaram leves.Os maculeles só pioram.Preciso de café.Sair seria esquecer até de mim mesma.Ouvindo todas aquelas conversas fúteis, inúteis.Eu ficaria enojada, mas ainda não daria conta de vomitar.Esqueceria tudo, mas isso só é uma solução momentanea.Não daria para descongestionar nada.Continuaria engasgado aqui dentro sem eu conseguir colocar para fora.Ainda é grande demais.Presente demais.Mas eu só faço força para não alimentar e não deixar isso no tempo inteiro.Mas vem até lembranças ainda não vividas.Esse meu velho dilema.Meu mais antigo defeito e inconcertável.Terei que esperar pelo café de amanhã cedo.Esperar, esperar...com um gosto amargo de abstinência.Esperar de olhos abertos, que mesmo sem o café, essa noite chuvosa e fria não será bem dormida.
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