Aquela noite era para ter sido o início de tudo e que o início seria longo, longo, longo.Era uma noite dela, meio planejada pelo coração, tentando enganar a razão, manipulando o destino.E como deu certo, como tudo foi-se terminar onde devia de terminar a noite, no início.Primeiro contactou as amigas mais próxima alí, na distância de casa mesmo.Nada, furos estudiosos no meio do caminho.Era só ela a sem rumo na vida.Então se lembrou daquela amiga, é aquela mesma, a que quando ocorria encontros, tudo, mas tudo mesmo poderia acontecer.As coisas se tornavam possíveis e inacreditáveis.O juízo e a falta do mesmo se misturavam e se confundiam no encontro.Se completavam desde sempre, mesmo que esses encontros demorassem semanas, meses e até anos para acontecer.Porque houve quebra de anos no contato, mas havia se reestabelecido recentemente.E para aquela amiga era difícil haver furo.Pronto.Combinado, tudo mininciosamente planejado pelos mais profundos dos profundos neurônios do coração.Sim, havia de ter neurônios no coração para tanta maquinaria, para tanto planejar que nem ela mesmo sabia que plenejava.Noite boa, noite alegre, noite colorida naquela lona de outro mundo que não era o que vivia ultimamente.Reencontro de si consigo mesma depois do fechar de olhos de alguns meses.Por partes o voltar a infância, rever palhaços, se contemplar e ser contemplado.O bater de palmas, o fazer das rodas, quadrilhas.Tudo colorido.Tudo novo.A alegria já adivinha com ajudas substânciais, mas era só uma ajuda.Alegria era o que não se faltava.E lá vinha o planejado, no corredor, filmado de longe.Coração bobo agora mostrava pra razão o que tinha feito.A emboscada que tinha arrumado.E tão bobo era ele que não sabia que a emboscada era para si próprio.Havia chegado o Feiticero daquele mundo mágico de oz ali formado.E ela era Dorothy Gale, a menina que procurava por um feiticero.Naquela timidez ávida que a perseguia a anos tentou se enganar.Esconder ao máximo esse embarreiramento que sempre existia.Com a ajuda do Feiticeiro era fácil.Dorothy tinha muitos neurônios no coração para saber que ele havia se enfeitiçado por ela.A aproximação era nítida.E a amiga e os demais estavam ali, só para ver o espetáculo em que ela seria personagem principal.Eram espectadores, já haviam feito o trabalho de acompanha-la ao mundo de oz.E mal sabia Dorothy que não seria ela a personagem principal por aquele longo, longo, longo início mencionado.Que os personagens coadjuvantes se tornariam principais e ela retornaria a ser coadjuvante, como sempre foi na sua vida perdida.Mas era futuro, seus nerônios do coração não viam à longa distância.O que a importava agora era o fato consumado da noite planejada, noite em que embailara a razão, que vivera a dança feliz do coração.O Feiticero de fato enfeitiçado a cada aproximação encantava mais Dorothy.A dança os unia como um enlace de dois corações que abandonados queriam se unir.O perfume, Ah! o perfume, o álcool da alma!O toque, o roçar e por fim as mãos entrelaçadas.Não havia mais saida para a razão.Agora era só coração.Os pés pararam a dança para que houvesse dança em outro lugar.Para que as mãos dançassem nos corpos e os lábios se tocassem para sentir os ritmos um do outro, para ver se havia ritmo no coração.Não havia nem mais neurônios em função.Agora realmente era só coração.Era feitiço mútuo.Era início.E como foi lindo o início.E como foi sentido.E como foi vivido.E como foi tocado.E como e como...Mas não foi longo como se pensava.Não foi como o verdadeiro mundo de oz em que se viveram várias fantasias naquele mundo por um longo longo longo tempo.Não.Dorothy deixou de ser Dorothy e voltou ao mundo real sem o Feiticeiro.Sem o fim, mas também não teria a continuação do início.Coadjuvante sempre.
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